o euromilhões dos pobres
pobreza paupérrima
Nos dias que antecederam este último concurso do Euromilhões senti-me estranhamente nauseado. Explico porquê. É que por todo o lado em que estive só ouvia conversas do tipo "é muita narta!", é "demasiado graveto", "é pá eu nem sabia o que fazer com tanto guito", "fds que um gajo inté ficava avariado dos cornos", etc...
Hoje li nos jornais duas coisinhas engraçadas:
- a plasticizada Nelly Furtado, que veio a Portugal numa visita relâmpago de 24 horas, dormiu no Pestana Palace (do Grupo Pestana), onde uma suíte custa a módica quantia de 2.900 euros/noite (600 contos, quase), e ressalvo que não é a mais cara que temos à disposição no país; e
- um gajo qualquer entrou para o Guiness Book por ter adquirido um telemóvel de 1 milhão de euros (200 mil contos).
Ficam, portanto, se é que me percebem, dois pormenorzitos de 'lana caprina', por entre os muitos e muitos que aqui poderia referenciar com a facilidade de quem bebe uma garrafita de reserva 'veuve clicqot', na companhia de um bife daqueles que custam 600 contos num restaurante cuja lista de espera tem lá 'pacientes' de há dois anos.
Pois! dá dó ouvir as imbecilidades que ouvi...
Tenho, para mim, que o problema não é o guito! o problema é que há gente que é pobre e sem remédio. Gente limitada no agir e no pensar. E isto, meus caros, não tem cura!...
(Apetece dizer ainda bem que o Euromilhões não saiu!)










